Gratidão na hora da dor

É tão simples, tão bom, tão agradável, tão fácil agradecer quando estamos bem, alegres, em harmonia. É tão bom apreciar o pôr do sol, as crianças brincando, e deixar o sentimento de gratidão brotar naturalmente nestes momentos! É curativo, é saudável! Mas e quando tudo não está tão bem assim? Quando parece que as coisas não estão funcionando como esperamos que elas funcionassem?

Nestes momentos também precisamos buscar este sentimento de gratidão, precisamos olhar as coisas na plena confiança de que todas elas fazem parte, fazem parte de um processo de construção do ser, lapidação da nossa constituição humana! Somos seres de luz, estamos aqui para viver e aprender com nossos passos certos ou errados. Pelo simples fato de agradecer o momento de sofrimento, podemos perceber com mais clareza o caminho a seguir.

Mas, quando estamos no meio do sofrimento parece ser difícil acessar este sentimento de gratidão. Compreenda que não é para “forçar a barra” mas para ter uma tomada de consciência da situação. Quando estiver sentindo uma amargura, uma angústia no peito, se for preciso chorar, chore. Se for preciso gritar, grite, e no meio da dor encontre um tempo para olhá-la. Pare tudo, busque um lugar só seu. Feche os olhos, silencie as palavras, deixe os pensamentos se acalmarem e entre em contato profundo com a sua dor. Simplesmente olhe para ela, fique no lugar de observador degustando a sensação desagradável, como se fosse um remédio amargo, mas necessário para sua recuperação.

Entre neste estado sem julgamento, sem buscar analisar o que está certo ou errado, sem se culpar por esta sensação, sem buscar justificativas ou apontar culpados, apenas entrar em contato com ela. Observe. Pelo simples fato de se colocar nesta postura é possível que você comece a perceber novas possibilidade e aquilo que era tão grande, tão sofrido, vai ficando mais ameno e você consegue olhar para este sentimento com mais clareza, com mais verdade. Internamente quando estiver em contato com a sua dor pense ou deseje arduamente que ela te mostre o que você precisa ver. Peça que esta dor te revele o que de essencial você precisa aprender com ela. Não fique na ansiedade da resposta, simplesmente coloque o seu pedido para uma dimensão maior e aguarde, todas as respostas vêm. Aí você estará pronto para agradecer, sentirá uma sensação agradável brotando como uma pequena semente crescendo. Agradeça diariamente as diferentes situações do seu dia, inclusive aquilo que não aconteceu dentro das suas expectativas. Esse exercício é de grande sabedoria, de grande desprendimento. Tente. Quando você começa a ter este tipo de atitude consegue perceber que nenhum problema é intransponível.

Deixe os pensamentos fluírem como o fluxo de um rio. Não se apegue a eles, toda vez que um pensamento surgir na sua mente, volte a atenção para a sua respiração, para as sensações do seu corpo. Aquele pensamento desparece gradualmente e você adentra o estado de presença que é curativo e tranquilizador.

Temos duas alternativas quando temos um problema: superá-lo ou aprender a conviver com ele. Certas coisas vão mudar, outras não. A sabedoria de saber de conviver com aquela nova realidade, com lucidez, sem sofrimento, é uma grande benção. O nosso coração vai ficando mais sereno, mais tranquilo e a cada dia mais essa dor vai diminuindo e percebemos muitas alternativas além da dor!

Depois que tiver essa prática na sua vida você vai poder contribuir melhor com as pessoas que estão a sua volta inclusive seus alunos e/ou filhos. Estará pronto para ajudar quem chega em pleno sofrimento para você em busca de ajuda. Vai ter uma palavra para dizer para essa pessoa, uma palavra de conforto porque você já encontrou o seu conforto no sofrimento. Essa atitude nos torna mais humanos, mais humildes e mais abertos a nova possibilidades!

Andréa Wolney

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